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Descrição
124 recetas de la cocina medieval Española. Naquela época, 90% da população era pobre, ou muito pobre. Grande parte dessa sociedade estava repleta de lacaios, "pobres envergonhados", pedintes, mendigos, estudantes, peregrinos, pícaros, vagabundos, falsos aleijados, cavaleiros de meia-tigela, "sopistas" e uma multidão de desnutridos em geral, até chegar ao último degrau, com os escravos e cativos, que eram alimentados praticamente à base de pão e água.
Boa parte dos habitantes das grandes urbes dependia da "sopa boba" (sopa dos pobres).
Essa face do sustento era muito sombria. Com um pouco de sorte, tinham acesso ao "pulmentum", que era um caldo ou panela de leguminosas, legumes, alhos e cebolas. Nalgumas ocasiões levava cereais com um pouco de carne ou ossos, queijo e ovos. Isso sim, havia sempre pão para molhar, ainda que fosse pão escuro.
Em casa do pobre, de sobremesa restava a última dentada e "a galinha".
O que era a galinha de sobremesa?
Terminada a refeição e retirados os poucos apetrechos e loiça do "festim", sem os comensais se afastarem da mesa, metiam a ponta do dedo indicador na boca para o humedecer. De seguida, procurava-se alguma migalha ou resto de comida que tivesse ficado sobre o tampo. Estes restos colavam-se à ponta do dedo molhado de saliva, levando-os à boca. Isto fazia-se a grande velocidade e todos os comensais ao mesmo tempo, como se de um bando de galinhas se tratasse. Não era necessário limpar a mesa.
A outra pequena percentagem de habitantes da época era formada pela nobreza, o clero e os comerciantes ricos, onde se davam os banquetes desmesurados, algo semelhante aos contos e lendas próprios da Idade Média. Nestas casas podiam dar-se ao luxo de ter cozinheiros criativos que, à base de "dinheiro" e muita imaginação, forjavam receitas que dão origem aos pilares da "Arquitetura dos Aromas e dos Sabores", pura "Alquimia de Fogões".
"Uma viagem sem retorno para o olfato e o paladar"
Ficha técnica